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Cuiabá(MT), Terça-Feira, 19 de Outubro de 2021 - 14:20
21/09/2021 as 17:33 | Por Por Ana Luisa Saliba | 53
O perigo mora em casa - Violência doméstica preocupa mais que emprego ou renda
Diz pesquisa da Apamagis
Fotografo: Reprodução/CNJ
A campanha do Sinal Vermelho é avaliada como positiva pela maioria das entrevistadas

A violência contra a mulher dentro da própria casa é hoje a principal preocupação do público feminino no estado de São Paulo, à frente de questões como emprego, renda e saúde. Além disso, 66% das mulheres afirmam ser a casa o local mais comum das agressões

Esse foi o resultado de uma pesquisa do JusBarômetro, encomendada pela Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), lançada nesta terça na Assembleia Legislativa de São Paulo, juntamente com a assinatura do termo de adesão à campanha Sinal Vermelho contra Violência Doméstica.

O alto nível de preocupação com a violência contra a mulher tem relação com a percepção de que esse tipo de violência vem aumentando nos últimos anos — opinião de 88% das entrevistadas.

Esse número sobe para 91% entre as mulheres com mais de 60 anos; com nível superior; com renda de até dois salários-mínimos; e no interior paulista.

A violência verbal e psicológica é a mais familiar às entrevistadas. Num rol de onze situações de violência contra a mulher apresentado pela pesquisa, mais da metade das entrevistadas (52%) afirma ter visto ou tomado conhecimento, nos últimos 12 meses, de mulheres próximas que foram vítimas de insulto, humilhação ou xingamento. Esse número sobe para 66% entre as jovens de 18 a 24 anos; e 61% entre as mulheres negras.

"A violência psicológica, por si só, não pode ser tolerada, sob nenhuma hipótese. Sabemos que é um dos sinais de que a mulher pode ser vítima do feminicídio. Antes da morte, a mulher normalmente é submetida a outros atos de agressões, tais como ameaças, injúrias, violência psicológica, vias de fato, lesões corporais", diz a presidente da Apamagis, Vanessa Mateus.

Ainda de acordo com o levantamento, 43% viram ou tomaram conhecimento de mulheres próximas que sofreram ameaças.

A agressão física foi registrada em 38% das respostas. Em ambos os casos o percentual de sobe entre as mulheres negras e com idades entre 18 e 24 anos.

Das situações de violência contra a mulher citadas anteriormente, 63% das entrevistadas indicam como autor da agressão o cônjuge, companheiro ou namorado da mulher vitimada. O ex (cônjuge, companheiro ou namorado) é a apontado por 48% como o autor do crime.

Medo

O silêncio das vítimas é predominante na percepção das mulheres paulistas: 42% das entrevistadas declaram que, nos casos de violência contra mulheres próximas que testemunharam ou tomaram conhecimento, as vítimas não procuraram ajuda. Outras 24% afirmam que a vítima procurou apoio de pessoas próximas; e 29% procuraram a ajuda de órgãos oficiais.

O medo é o principal motivo para que não denunciem o agressor, na opinião de 73% das participantes da pesquisa. O segundo motivo mais citado (31%) foi a vergonha ou o receio de se expor.

Entre os órgãos oficiais, a Delegacia da Mulher é citada como a mais procurada pelas vítimas, segundo os relatos das entrevistadas (55%).

No entanto, a procura pela Delegacia da Mulher praticamente empata com a busca de ajuda informal, entre amigos e familiares, que juntos somam 56% das menções.

"O fato de as vítimas se sentirem desprotegidas para recorrer a órgãos oficiais demonstra que ainda há muito por fazer, mas revela também que ações implementadas não têm sido divulgadas efetivamente.

Torna-se relevante ao Judiciário melhorar a comunicação com a sociedade e, dessa forma, informar os projetos empreendidos no combate à violência contra a mulher", alerta Vanessa Mateus.

Perguntadas sobre a rede de atendimento às vítimas de violência doméstica, 42% das entrevistadas defendem melhorias, maior empatia e sensibilidade no atendimento. A maioria delas (52%) tem entre 18 e 24 anos.

O resultado aponta ainda que 40% acham necessário melhorar a capacitação dos policiais que atendem a esse tipo de caso, 29% apoiam a ampliação do número de Delegacias das Mulheres, e 21% consideram que a informação e a comunicação com as vítimas precisam ser mais efetivas.

Medidas de proteção

Elas também querem uma resposta mais firme na punição: seis em cada dez mulheres defendem prisão para os agressores. As que mais defendem a medida são as jovens entre 18 e 24 anos (67%).

Em todas as faixas etárias, a medida é aprovada por mais da metade das mulheres: entre 25 a 44 anos, o percentual é de 64%; de 45 a 59, 53%; e com 60 anos ou mais, 54%.

Os índices despencam para 5%, 10%, 13% e 8%, obedecendo respectivamente essas faixas etárias, quando a defesa é por medidas protetivas como forma de romper o ciclo de violência contra mulher.

Quando perguntadas sobre o impacto de mudanças recentes na legislação, principalmente a Lei Maria da Penha, 59% disseram que elas têm sido um instrumento eficiente para inibir a violência contra as mulheres.

Já a Campanha Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica, criada pela Associação dos Magistrados Brasileiros e pelo Conselho Nacional de Justiça, é aprovada por 78% das entrevistadas.

A aprovação foi superior a 50% em várias outras atividades que, como acontece com a campanha Sinal Vermelho, contam com apoio da magistratura: ações que dão visibilidade aos programas e ações como Carta de Mulheres, Projeto Fênix e aplicativo Juntas (54%); ações que dão visibilidade a iniciativas do Poder Judiciário e da sociedade civil contra violência de gênero (53%); e divulgação das ações de magistradas e magistrados pelo fim da violência doméstica (52%).

O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), que produziu a pesquisa sob coordenação do sociólogo Antonio Lavareda, entrevistou mil mulheres, acima de 18 anos, entre 21 a 24 de agosto de 2021, no estado de São Paulo.

O termo de adesão à campanha Sinal Vermelho contra Violência Doméstica foi assinado pelo presidente da Alesp, deputado Carlão Pignatari (PSDB); pela presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura da Associação Comercial de São Paulo, Ana Claudia Cotait; por Maria Domitila Manssur, diretora da AMB Mulheres; e por Vanessa Mateus.

Por Ana Luisa Saliba

Colaborou:  Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
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